![]() |


Os Testes de
Temperamento para filhotes foram inicialmente desenvolvidos pela Associação
do Cão Guia como uma forma de avaliar se os filhotes herdaram algumas
das características desejáveis em um cão guia.
Os Testes são ótimos para formar a combinação
ideal de filhote + dono. Normalmente, acredita-se que realizar o teste somente
1 vez seja suficiente para avaliar o comportamento de um filhote, mas isto
não é verdade. A repetição de resultados é
muito importante ao se tentar determinar se um dado comportamento ou característica
foi acidental ou é uma qualidade inerente daquele indivíduo.
O ideal seria que fossem realizados pelo menos 2 testes, feitos em locais
distintos da casa e por pessoas diferentes.
ALGUMAS RECOMENDAÇÕES IMPORTANTES
Não aplique o teste em filhotes com menos de 49 dias e nem com mais
de 2 meses e meio
O teste deve ser feito por uma pessoa desconhecida do filhote
O filhote não deve nunca ter estado no local do teste e o ambiente
deve ser o mais livre possível de distrações
Faça os testes longe dos irmãos, da mãe e de outros cães
Repita o teste após 24-48 horas
Aja exatamente da mesma forma com cada filhote
Não alimente os filhotes por 2 horas antes do teste
Não realize nenhuma atividade estressante como cortar as unhas, banhar,
levar ao veterinário ou vermifugar e vacinar por pelo menos 2 dias
antes dos testes
O criador, ou qualquer pessoa conhecida dos filhotes, não deve estar
presente no ambiente durante os testes
COMO REALIZAR OS TESTES
A
seguir, serão descritas, em linhas gerais, as técnicas para
a realização do Teste de Temperamento de Filhotes, também
conhecido como Teste de Volhard.
ATENÇÃO: para todos os testes são oferecidas alternativas de possíveis respostas, mas na vida real, os filhotes podem apresentar comportamentos não exatamente iguais às alternativas dadas. Saber interpretar bem os resultados é uma habilidade indispensável.
ATRAÇÃO SOCIAL
Propósito: Determinar o desejo ou a confiança do filhote em se aproximar de estranhos.
Técnica: O criador posiciona o filhote de forma que ele fique de costas para a porta por onde entrou e de frente para quem irá realizar os testes, a uma distância de aproximadamente 1,20m do examinador. O criador sai imediatamente do ambiente. O examinador bate palmas e chama o filhote.
ATENÇÃO:
Muitos filhotes irão preferir explorar o ambiente antes de responder
ao examinado Isto é bastante comum. Deve-se anotar a que distância
o filhote desejou explorar, se usou o aposento inteiro ou apenas uma parte.
O examinador também deve saber distinguir entre recusa a se aproximar
e desejo de explorar o ambiente.
O filhote explorador normalmente irá gastar de 1 a 2 minutos cheirando
o ambiente e depois irá se dirigir ao examinador. Deve-se anotar o
comportamento à partir desta hora, mas não se deve deixar de
anotar sobre a demora em se aproximar.
![]() |
| Se aproxima imediatamente com a cauda/orelhas em atenção, pula, morde suas mãos | 1 |
| Se aproxima imediatamente com a cauda e as orelhas eretas, bate com a pata em você, lambe suas mãos. | 2 |
| Se aproxima imediatamente, pode andar em zigue-zague antes de alcançar o examinador. | 3 |
| Se aproxima imediatamente, cauda baixa (as orelhas podem estar para trás, ziguezagueando de leve enquanto se aproxima do examinador). | 4 |
| Se aproxima com hesitação, cauda e orelhas baixas, freqüentemente não chega ao examinador em uma linha reta e se deita ou fica bem quietinho quando o alcança. | 5 |
| Não se aproxima, e pode tentar evitar o examinador. | 6 |
| Explora o ambiente antes de se dirigir ao examinador? | Sim/Não |
| Se explora, por quanto tempo e que área do ambiente é usada (próximo ao examinador, explora todo o ambiente, etc). | Obs |
DESEJO DE SEGUIR
Propósito: Revela o grau de confiança social e interação com humanos
Técnica: Quando o filhote vier para o examinador (ou o examinador decidiu que o filhote não irá se aproximar), a pessoa fica em pé, tentando manter a atenção do cão e encoraja o filhote à segui-lo, batendo em sua perna. Normalmente anda-se de 1.80m a 3.00m, dependendo do tamanho do ambiente.
ATENÇÃO: alguns filhotes irão segui-lo passando por entre seus pés, ou irão pular enquanto você anda. Tome muito cuidado para não pisar neles. Prestar atenção no fato de algum filhote ficar inibido quando o examinador ficar em pé e observe atentamente a postura do filhote enquanto ele o segue.
![]() |
| Segue imediatamente com postura confiante, cauda ereta, pula, morde as mãos, morde os pés, fica atravessando o caminho do examinador enquanto anda | 1 |
| Segue imediatamente, cauda e orelhas eretas, atravessa o caminho, e pode ocasionalmente pular ou morder os pés | 2 |
| Segue imediatamente, cauda ereta, normalmente acompanha ao lado do examinador | 3 |
| Segue imediatamente, cauda baixa (as orelhas podem estar para trás) pode seguir um pouquinho atrás ou do lado do examinador | 4 |
| Segue com hesitação, cauda e orelhas baixas, normalmente segue atrás ou de uma pequenas distância do examinador, pode seguir e parar, seguir e parar. | 5 |
| Não segue o examinador | 6 |
ELEVAÇÃO
Propósito: Avaliar a resposta à situações onde o filhote não tenha controle. Isto irá refletir nas respostas que o cão terá diariamente ao ser colocado em uma caixa de transporte, deixado sozinho, penteado ou examinado pelo veterinário.
Técnica: O examinador se ajoelha no chão e segura o filhote com as costas para ele, mãos entrelaçadas bem atrás da pernas dianteiras, oferecendo um bom suporte sem comprimir a barriga. O filhote é levantado de forma que todas as suas patas fiquem alguns poucos centímetros fora do chão e é mantido nesta posição por 30 segundos. Ao fim deste tempo, coloque o filhote no chão, mas fique com as mãos nele para o próximo teste.
ATENÇÃO:
A posição das mãos do examinador permite um bom monitoramento
do batimento cardíaco. Observe que filhotes que aparentam estar calmos
podem, na verdade, estar “congelados”, uma resposta ao stress.
O examinador pode sentir isto claramente pelos batimentos cardíacos
acelerados. Um filhote realmente relaxado permanece quieto em suas mãos
e os batimentos cardíacos se mantém estáveis e normais,
após uma elevação inicial. O coração de
um filhote estressado acelera e permanece acelerado.
O tônus muscular, a respiração e a posição
dos dedos também são dicas importantes – respiração
rápida, músculos tensos e dedos encurvados ou muito abertos
são sinais de stress.
![]() |
| Luta bravamente, rosna e tenta morder | 1 |
| Luta bravamente, pode vocalizar em protesto, mas não rosna e nem tenta morder | 2 |
| Fica relaxado, sem lutar, movimentos de olhos e cabeça calmos, batimento cardíaco estável | 3 |
| Calmo, mas com alguma luta que pode ser inicial ou durante os 30 segundos , batimentos cardíacos acelerados | 4 |
| Contorce ligeiramente o corpo, batimento cardíaco acelerado, olhar fixo | 5 |
| Não luta, batimento cardíaco elevado, pernas enrigecidas, paralizado | 6 |
RESTRIÇÃO
Propósito: Este teste é excelente como indicativo do grau de dominância do filhote e de sua vontade em aceitar a liderança e disciplina humanas.
Técnica: O examinador se ajoelha e, usando ambas as mãos, delicadamente coloca o filhote de barriga para cima. Caso ele se debata em demasia, pode ser colocado de lado. Segure o filhote nesta posição por 30 segundos. O rosto do examinador deve estar sobre o filhote e sua expressão deve ser neutra, sem sorrir. Ao término dos 30 segundos, permita que o filhotes role para o lado, mas vá imediatamente para o próximo teste.
ATENÇÃO:
é aconselhável que o examinador use uma roupa de manga comprida.
As unhas dos filhotes podem machucar o braço e alguns filhotes podem
tentar morder.
Deve-se também ficar alerta ás mudanças na respiração
do filhote, batimento cardíaco, tônus muscular e dedos das patinhas
– um filhote que fica relaxado, com batimento cardíaco estável
e músculos relaxados não é o mesmo que um filhote que
fica rígido, com batimento cardíaco acelerado e músculos
tensos.
![]() |
| Luta bravamente, rosna e tenta morder. A luta pode ser constante. | 1 |
| Vocaliza muito, luta bravamente, pode se acalmar por curto período de tempo e pode manter um forte contato visual durante todo o teste. | 2 |
| Apresenta uma combinação de luta e calma, pode vocalizar durante a luta, normalmente, apresenta algum contato visual antes ou durante o período em que se mantém calmo. | 3 |
Apresenta alguma luta, inicialmente ou próximo ao fim dos 30 segundos. Batimentos cardíacos estáveis ou ligeiramente acelerados. |
4 |
| Não luta. Batimento cardiáco estável ou ligeiramente elevado. | 5 |
| Não luta, evita à todo custo contato visual, virando a cabeça em direção oposta ao examinador. Batimento cardíaco normalmente acelerado. | 6 |
DOMINÂNCIA SOCIAL (SUBMISSÃO)
Propósito:
Em conjunto com a restrição, a reação do filhote
à este teste reflete a aceitação e conhecimento de sua
hierarquia social. Vamos averiguar o quão rápido o cão
aceita e perdoa ser colocado em uma posição subordinada. Um
cão que perdoa é mais tolerante aos erros de seu condutor.
Técnica: Ainda ajoelhado, o examinador permite
que o filhote saia da posição usada para o teste da restrição.
Mantendo uma mão no peito do cão á fim mantê-lo
no local, o examinador usa a outra mão para acariciar gentilmente o
filhote da cabeça á cauda até que se perceba uma resposta
clara. O examinador também se inclina para oferecer a face ao filhote,
sem forçar contato.
ATENÇÃO: Não segure um filhote
que claramente deseja sair, lutando bravamente contra sua mão –
o que é diferente de um filhote que aceita a leve restrição,
oferece uma resposta e depois decide sair. Um filhote que fica sentado ou
sem se mexer provavelmente também demonstrou sinais de stress durante
o teste de restrição. Seja paciente e anote quanto tempo demorou
para este filhote retornar ao normal.
![]() |
| Pula no rosto do examinador, rosna, pode tentar morder, pode vocalizar, com uma postura corporal bem ereta. | 1 |
| Pula no examinador, pode dar patadas no rosto ou mãos, enquanto lambe o rosto do examinador pode dar uma mordiscadas, orelhas e cauda normalmente bem eretas | 2 |
| Tenta beijar a face do examinador prontamente, cauda normalmente abanando e as orelhas normalmente para trás | 3 |
| Lambe as mãos e pode tentar se aninhar em baixo do queixo do examinador | 4 |
| Rola, pode lamber as mãos, parece hesitante, cauda baixa e orelhas para trás | 5 |
| Fica congelado, ou se retira, evitando o examinador | 6 |
BUSCAR OBJETOS
Propósito:
demonstra o desejo de trabalhar com os humanos. De todos os testes, a Associação
do Cão Guia considera este o mais crítico e capaz de predizer
a habilidade de trabalho do cão.
Técnica: Amasse uma folha de papel formando uma
bolinha e jogue-a a aproximadamente 1 metro do filhote. A direção
que a bolinha deve ser jogada deve ser à frente do filhote e na direção
para a qual ele está olhando, nunca ao encontro do filhote ou em sua
perpendicular. Enquanto o filhote vai ao encontro da bolinha, o examinador
deve permanecer em silêncio, pois encorajar o filhote verbalmente pode
interromper as respostas naturais do filhote.
ATENÇÃO:
Os filhotes não tem uma visão muito boa nesta idade. O examinador
deve ter certeza que o filhote viu a bolinha ser lançada. Se não
houver resposta, jogue a bola novamente, procurando perceber se o filhote
a viu. Não jogue a bola mais do que três vezes e, mesmo assim,
as repetições ocorrem somente quando não se tem certeza
que o filhote tenha visto a bolinha.
![]() |
![]() |
| Corre atrás da bolinha, pega na boca e foge. Postura corporal confiante. | 1 |
| Corre atrás da bolinha e fica lá com ela, ou se afasta ligeiramente do examinador. Normalmente mantém contato visual com o examinador enquanto “guarda” a bolinha | 2 |
| Corre atrás da bola e volta ao examinador. Perceba se o filhote volta para o examinador ou se simplesmente volta para perto dele. | 3 |
| Corre atrás da bola, pode pega-la, mas volta ao examinador sem a bolinha | 4 |
| Corre atrás da bolinha até certo ponto, perde o interesse, pode voltar ou não ao examinador. Alguns filhotes podem simplesmente olhar para a bolinha sem interesse | 5 |
| Não corre atrás da bola e pode até evitar olhar para a bola rolando | 6 |
SENSIBILIDADE AOS SONS
Propósito: avaliar a reação
do filhote diante de um forte ruído. Este teste é muito importante
na hora de avaliar que tipo de residência é a mais adequada para
cada filhote. Apesar da sensibilidade aos ruídos poder ser minimizada,
não é justo colocar um filhote de alta sensibilidade em uma
residência muito barulhenta.
Técnica: permita que o filhote explore o ambiente.
Quando ele estiver a uma distância de aproximadamente 1,8m, o examinador
bate 2 tampas de panela ou uma colher em uma tampa por 3 vezes consecutivas.
ATENÇÃO: não bata na tampa muito
próximo do filhote para não assustá-lo e nem fique batendo
repetidas vezes
![]() |
| Ouve o som, o localiza, rosna ou late e anda em direção ao som. Expressão corporal confiante. | 1 |
| Ouve, localiza o som, late por pouco tempo, expressão corporal confiante | 2 |
| Ouve, localiza e se move para a direção do som sem vocalizar, a cauda pode estar alta. | 3 |
| Ouve, localiza o som, não apresenta ou apresenta pouca mudança em sua expressão corporal, a não ser por um levantar de orelhas | 4 |
| Assusta, vai para trás, a expressão corporal se transforma em defensiva/submissa, orelhas para trás e cauda baixa, pode tentar se esconder | 5 |
| Ignora o som, não apresenta nenhuma curiosidade ou reação. | 6 |
SENSIBILIDADE VISUAL
Propósito:
testar as reações do filhote aos estímulos visuais. O
filhote que tenha uma reação de medo ou agressividade deve ter
sua residência cuidadosamente escolhida.
Técnica: pode-se usar um pano de pratos ou algum
tecido de tamanho similar amarrado á uma corda de aproximadamente 2
metros. Deixe o filhote pesquisar o ambiente e jogue o paninho 1,5m à
frente dele. O pano nunca deve ser jogado ao encontro do filhote e sim à
frente da direção em que ele estiver olhando. Vagarosamente,
arraste o pano com movimentos constantes. Sempre arraste o pano para longe
do filhote, nunca em sua direção. Quando o filhote morder ou
colocar a pata em cima do pano pare de puxar e observe a resposta do filhote
frente ao pano “morto”.
ATENÇÃO:
cuidado para não assustar o filhote jogando o pano em sua direção.
Não dê tranquinhos no pano para tentar criar uma resposta e evite
brincar de cabo de guerra – quando o filhote fizer contato com o pano,
qualquer movimento deve parar.
O examinador deve anotar por quanto tempo o filhote continua fazendo contato
com o pano mesmo após ele não estar mais se mexendo. Alguns
filhotes irão continuar a morder, sacudir, rosnar ou carregar o pano,
enquanto outros perdem o interesse imediatamente.
![]() |
| Avista o objeto, expressão corporal muda para muito atenta, ataca e morde, pode latir e rosnar, continua a morder mesmo com o pano parado. | 1 |
| Avista o objeto, cauda , orelhas e cabeça levantadas, segue com intensidade, pode latir e morder o pano, apresenta algum interesse mesmo com o pano parado | 2 |
| Segue o pano com curiosidade, cauda levantada, tenta investigar, pode morder o pano, perde o interesse quando o pano para de se mexer. | 3 |
| Pode seguir o pano com hesitação, cauda baixa e orelhas para trás, pode latir ou rosnar de forma defensiva enquanto se afasta do pano. Pode ficar mais confiante quando o pano parar de se mexer. | 4 |
| Rabinho entre as pernas, vai para trás, tenta se esconder | 5 |
| Corre para se afastar do pano, evita o pano | 6 |
ESTABILIDADE
Propósito:
testar a reação do filhote a objetos não familiares e
grandes
Técnica: lentamente, abra um guarda-chuva a uma
distância de aproximadamente 1,80m do filhote, em uma direção
paralela à direção do filhote e coloque-o no chão.
Permita que o filhote investigue. Vigie suas reações desde o
momento em que o guarda-chuva é aberto até que o filhote não
demonstre mais interesse por ele, ou o evite. Certifique-se que o guarda-chuva
esteja bem travado para não se fechar repentinamente ou cair sobre
o filhote.
ATENÇÃO: cuidado para não assustar
o filhote abrindo o guarda-chuva muito rápido, ou apontando-o em sua
direção enquanto é aberto. Não jogue o guarda-chuva
no chão e nem permita que ele fique rodando – simplesmente coloque-o
no chão.
![]() |
| Late e rosna, pula no guarda-chuva e o morde. Expressão corporal muito dominante. | 1 |
| Não se assusta, vai direto para o guarda-chuva, cauda ereta, pode morde-lo, investiga dando patadas no guarda-chuva. | 2 |
| Não se assusta, ou se recupera rapidamente, investiga alegremente, cauda portada alta | 3 |
| Assusta, se recupera mais lentamente que o número 3, cauda quase nunca alta, curioso para investigar após ter se recuperado, mas normalmente á distância e cautelosamente | 4 |
| Assusta, rabinho no meio das pernas, orelhas para trás, evita o guarda-chuva, não desejoso de investigar | 5 |
| Assusta, foge, tenta se esconder, evita o guarda-chuva | 6 |
SENSIBILIDADE
AO TOQUE
Propósito: testar a reação do filhote
à estímulos físicos desagradáveis.
A reação pode ser muito variável, dependendo da raça
do filhote. Muitas raças esportivas e terriers foram especificamente
criadas para ter uma alta tolerância à dor. Contudo, também
existem as diferenças individuais. Nunca presuponha que o filhote terá
uma determinada reação devido à sua raça.
Muitos cães taxados de “teimosos” são, na realidade,
bastante insensíveis á estímulos físicos e requerem
formas de treinamento alternativas.
Ao colocar um filhote em uma casa com crianças, um cão muito
sensível ao toque não é a melhor opção.
Os retrievers tem sido considerados ótimos cães de “família”
em parte devido à seus baixos níveis de agressividade e alto
grau de tolerância à dor.
Técnica: segure o filhote no colo com um braço,
posicione seu dedão e indicador entre os dedos da pata dianteira do
filhote. Ao encostar na pele, considere como sendo o número 1 e uma
pressão bem forte sendo o 10. Gradualmente, aumente a pressão
enquanto você vai contando os números 2, 3, 4 ... e observe em
que número o filhote terá alguma reação de puxar
a pata. Após o filhote ter demonstrado uma reação, acaricie
um pouco sua patinha antes de coloca-lo no chão.
ATENÇÃO: o examinador deve saber diferenciar
quando o filhote não quer que sua patinha seja tocada de quando ele
está sentindo dor.
Alguns filhotes não irão responder à pressão alguma,
não importando a força com que você pressione.
![]() |
NÍVEIS DE ATIVIDADE
O examinador deve observar o nível de atividade de cada filhote, desde o início do teste. Os filhotes serão classificados como:
· Atividade muito alta – galopa o tempo todo
para todos os lados
· Atividade alta – trota constantemente e de vez em quando galopa
· Atividade média – Trota, e de vez em quando anda
· Atividade baixa – anda e ás vezes trota.
Combinado
com outros fatores, saber o nível de atividade de cada filhote pode
ser uma informação de extrema importância. Pessoas de
mais idade não devem ficar com um filhote que galopa o tempo todo.
Se possível, deve-se observar o nível de atividade em diversas
ocasiões e em locais diferentes. Os filhotes devem ser observados individualmente.
Um filhote sem muita confiança no local do teste pode na realidade
ser de muito alta atividade em um ambiente mais familiar. Este tipo de filhote
pode ficar quieto e reservado em locais públicos e ser hiperativo em
casa, com sua família.
PERSISTÊNCIA
Para
este teste, utilize um pote de margarina vazio ou qualquer outro recipiente
semelhante. Faça alguns furos no pote. Mostre um petisco bem cheiroso,
como um pedaço de queijo ou fígado cozido ou salame ao filhote,
coloque-o no chão e cubra-o com o pote.
Observe por quanto tempo cada filhote irá trabalhar para tentar chegar
ao petisco.
Para cães que irão executar trabalhos como Resgate, Faro ou
Competições de Obediência, este teste é utilizado
como desempate ente dois filhotes que tiveram pontuações semelhantes
nos outros testes. Os que apresentarem uma persistência maior serão
preferidos aos que desistirem logo.
![]() |
INCLINAÇÃO NATURAL
Se
você está adquirindo um filhote para exercer uma determinada
função, como o Faro, a Caça ou Agility, sempre é
interessante desenvolver alguns testes que o ajudem a descobrir quais os filhotes
que apresentam uma inclinação natural para aquela atividade.
Por exemplo, um futuro cão de Agility não deve se incomodar
em andar ou brincar em superfícies desconhecidas ou instáveis
como pedaços de tábuas de madeira colocados em um piso não
muito regular ou com outro pedaço de madeira por baixo para que a tábua
fique levemente instável.
Este teste também deve ser usado como desempate entre dois filhotes
com resultados semelhantes nos outros testes.
Todos os cães podem aprender uma atividade se lhes for dado tempo suficiente
e treinamento especializado, mas a inclinação natural pode tornar
o processo muito mais fácil e dar maior prazer ao cão.
![]() |
INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS
Predominância de 1 ponto
Este é um cão muito independente, que, se provocado, pode facilmente morder, com tendências dominantes e agressivas. Normalmente, este filhote não está disposto a aceitar a liderança humana, e até mesmo pessoas experientes terão dificuldade em treiná-lo. Este, não deve ser um cão de companhia. Deve-se ter muita cautela ao se colocar um filhote que teve o resultado de 1 em qualquer teste, menos no de busca de objetos e sensibilidade ao toque.
Predominância de 2 pontos
Este é um cão bastante confiante, que pode morder se for provocado. Freqüentemente com um alto grau de atividade, estes filhotes são determinados, inteligentes e rápidos em tomar vantagem da fraqueza dos outros. Normalmente, são descritos como “cães que tem idéias próprias”. Este será um excelente cão de trabalho, apesar do condutor ter que ser bem firme, cosistente e justo. Principalmente nas raças de guarda, filhotes com predominância de 2 pontos nas respostas aos testes necessitam de treinamento de obediência o mais cedo possível para evitar problemas de comportamento na adolescência ou início da idade adulta. Um filhote com predominância de 2 pontos necessita de muito estímulo para o corpo e mente. Este é um cão adaptável e confiante que se sairá muito bem em altos níveis de competição. Muito ativos para os mais idosos e normalmente muito dominantes para crianças pequenas.
Predominância de 3 pontos
Confidente, adaptável, energético e com muita vontade de agradar, o filhote que tem predominância de 3 pontos é, normalmente, um trabalhador feliz. Apesar de, se permitido, poderem ser um pouco dominantes, é um cão que aceita a liderança humana. Estes filhotes inteligentes se dão bem em uma família ativa e, normalmente, se dão bem com crianças. Podem ser mais ativos do que algumas pessoas possam querer. Este filhote pode ser uma boa opção para quem quer participar de competições, mas não procura ser o MELHOR DOS MELHORES. Pode ser induzido a morder, se estiver sob pressão.
Predominância de 4 pontos
Este filhote é o que responde á qualquer liderança, raramente passando dos limites. Não é tão confiante ou adaptável como o filhote com predominância de 3 pontos, mas é uma excelente opção para famílias com crianças pequenas ou um casal idoso. Os níveis de atividade são normalmente mais baixos. A socialização é muito importante para evitar que este cão se torne medroso. Estes filhotes se dão muito bem em um ambiente bem estruturado e tem muita vontade de agradar, são facilmente treinados, perdoando os erros do condutor prontamente. Não é um cão que pode ser facilmente instigado á morder.
Predominância de 5 pontos
Este
é um filhote muito submisso, um pouco instável. Socializar e
criar confiança neste filhote é imprescindível. Qualquer
mudança irá causar stress neste cão e levará muito
tempo para ele se adaptar a novas situações e arredores. Sob
stress, este cão irá morder para se defender. Este filhote é
uma péssima escolha para crianças, residências muito movimentadas
ou para qualquer pessoa que queira um cão adaptável e desinibido.
Nas raças de guarda e em algumas de pastoreio, este filhote poderia
ser considerado não aceitável. Em outras raças, este
temperamento não é incomum e é aceitável para
donos que apenas desejam que o cão seja um companheiro em casa. Independente
da raça, este filhote não é uma boa escolha para qualquer
atividade competitiva, incluindo exposições de estrutura.
Predominância de 6 pontos
Este é um cão que deseja pouco contato com os humanos e pode evitar ser tocado ou agradado. Será difícil estabelecer qualquer relação com este cão e ele pode preferir outros cães à pessoas. Este filhote não é aceitável como cão de companhia, para criação ou trabalho. Se estressado, certamente irá morder.
CONCLUSÃO
O Teste de Temperamento para Filhotes está longe de ser uma ciência
exata. Requer uma observação paciente, vontade de aceitar o
que você está vendo sem desculpas ou noções pré-concebidas
e o dom de interpretar o que um filhote pode dizer sobre ele, se você
parar para ouvi-lo.
Todos os teste apresentados tem a ver com a mente do filhote e certas respostas
emocionais a certas situações. Não se esqueçam
que, por mais maravilhosa que seja a mente de um filhote, de nada irá
lhe adiantar se estiver em um corpo inadequado, você somente estará
pedindo por algo além das possibilidades físicas dele.
Conheça a estrutura correta de sua raça e procure um filhote
que seja mental e estruturalmente adequado ás suas necessidades.
O Teste de Temperamento tem suas limitações. Não irá
predizer infalivelmente como será o cão adulto, mas dará
um relance do potencial do filhote. Feito com respeito e atenção,
o teste oferece outra forma de aprendermos mais sobre os fascinantes cães
que compartilham nossas vidas.
Façam bom proveito deste conhecimento!!
